Cursos na área da Saúde exigem muito mais dos estudantes

A área da Saúde sempre esteve entre as mais concorridas nos vestibulares, tendo o curso de Medicina com o maior número de candidatos por vaga.

Mas, muito além da dedicação, quem quer cuidar de vidas precisa estar preparado para os longos anos de estudo que vêm pela frente.

O professor e gestor da Escola de Saúde da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Paulo Deliberato alerta que é preciso dedicar cerca de dez anos aos estudos, e que apenas cinco anos depois a pessoa poderá começar a colher frutos.

“Claro que amor e dedicação têm de ter em qualquer carreira, mas aquele que vai seguir a área de Saúde tem de ter em mente que vai passar muitos anos estudando.

Quem vai seguir essa profissão tem de saber que, em outras palavras, é preciso abdicar de vida pessoal e se dedicar à vida dos outros”

comenta.

O professor explica que atualmente não existe mais a hierarquia e diferença entre médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e auxiliares, tendo em vista que se trabalha em equipe e um depende do outro para ter sucesso, além de que a visão do profissional da Saúde já não é mais como antigamente: sério, frio e insensível.

“Hoje em dia os cursos prezam muito pela humanização do profissional. Quem vai lidar com vidas tem de, primeiramente, gostar de pessoas.

A ideia da profissão é prevenir o sofrimento humano, pois a medicina é mais preventiva do que curativa. Mesmo que não seja preventiva, deve-se dedicar à cura e ao bem-estar do paciente.

Tem de gostar muito”

explica o profissional.

Como em toda carreira há pró e contra, e em Saúde não é diferente. O professor analisa que um dos contras é a falta de reconhecimento e baixa remuneração.

“Não é um problema com a nossa área, é com todas as profissões, diria que é cultural. Ainda que na nossa área a remuneração seja melhor se comparada a tantas outras.”

Para Deliberato, o reconhecimento não está no valor, mas sim no resultado do trabalho, pois quando se tem um paciente curado, é sinal de que está no caminho certo.

“O essencial é ter dom. O aluno que vai prestar para cuidar de pessoas tem de ter preparo e decisão concretizadas. Há um perfil de quem vai atuar.

As questões psicológica e cognitiva têm de ser preparadas para lidar com vidas. As relações interpessoais, empatia, dedicação e comunicação são essenciais.”

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